A frase-título desta entrevista certamente provoca reflexão. E, sem dúvida, essa é uma característica marcante do psicanalista italiano, radicado no Brasil, Contardo Calligaris. Doutor em psicologia clínica, colunista de jornal e escritor, Calligaris dedica-se especialmente às questões da adolescência – fase da vida que dá nome a um de seus livros mais lidos e estudados -, justamente por considerá-la uma das mais potentes fontes de energia da atualidade.
Ética e sustentabilidade na educação de jovens e adolescentes foram temas da entrevista concedida à Ideia Sustentável, durante evento para educadores em São Paulo.
Ideia Sustentável – Na sua opinião, a educação de jovens e adolescentes tem levado em conta as questões de sustentabilidade?
Contardo Calligaris – Em algumas escolas que conheço – porque visitei, inclusive como palestrante, ou pelo contato com os pais – acho que no mínimo existe essa ambição. Mesmo no ensino público (sem generalizar), vejo que existe a preocupação de sensibilizar essa população – falo de até 12 anos, do Ensino Médio e até alunos menores – com a questão da sustentabilidade. Uma coisa que era totalmente fora do campo de interesse de uma criança da minha geração.
Lembro-me do primeiro Relatório do Clube de Roma (publicado em 1972 e intitulado de Os Limites do Crescimento, tornou-se o primeiro documento de repercussão sobre o tema entre cientistas e governantes. Também conhecido como Relatório Meadows, o estudo propunha crescimento econômico zero e influenciou, de maneira decisiva, o debate na Conferência de Estocolmo, realizada no mesmo ano, quando surgiu a primeira definição do termo sustentabilidade) – que, aliás, era excessivamente alarmista, porque carregava no tom de que o mundo iria acabar logo. Isso era recebido, no fundo, com uma certa dose de ceticismo. E, realmente, não entrava no currículo escolar de nenhuma maneira. Isso sensivelmente mudou. Você deve ter constatado uma enorme quantidade de crianças pequenas que são capazes, por exemplo, inclusive de fazer observações aos pais sobre condutas antiecológicas de qualquer tipo. Na minha época, no máximo, alguém poderia dizer: “Vamos apagar a luz porque não somos sócios da Light!” Mas, hoje, a preocupação existe porque a energia é questão de preservação do planeta.
Fonte: Portal Ideias Sustentáveis

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